Sala de Leitura Bernardo Élis
Nossa escola escolheu o nome do autor goiano Bernardo Élis como homenagem póstuma deste renomado professor que contribuiu grandemente para a cultura do nosso estado e do nosso país.
Biografia do homenageado
Quarto ocupante da Cadeira 1, eleito em 23 de outubro de 1975, na
sucessão de Ivan Lins e recebido pelo Acadêmico Aurélio Buarque de
Holanda Ferreira em 10 de dezembro de 1975.
(Bernardo Élis Fleury de Campos Curado), advogado, professor, poeta,
contista e romancista,
nasceu em Corumbá de Goiás, GO, em 15 de novembro
de 1915, e faleceu no dia 30 de novembro de 1997, na mesma cidade.
Filho do poeta Érico José Curado e de Marieta Fleury Curado, iniciou o
estudo das primeiras letras com o pai, em casa. Passou o ano de 1923 na
casa do avô materno, na capital do Estado, onde se matriculou no Grupo
Escolar. Depois retornou para Corumbá continuando os estudos com o pai,
de quem viria o estímulo para as letras. Aos doze anos escreveu o
primeiro conto, inspirado em “Assombramento”, de Afonso Arinos. Em 1928,
viajou com a família para Goiás, então capital do Estado, onde fez o
curso ginasial no Liceu. Ampliou suas leituras, principalmente de
Machado de Assis, Eça de Queirós e dos autores modernistas. Após a
interrupção dos estudos por dois anos, em 1940 concluiu o curso clássico
no Liceu de Goiânia. Em 1945, formou-se na Faculdade de Direito, sendo
orador de sua turma.
Iniciando-se na função pública, em 1936, como escrivão da Delegacia
de Polícia em Anápolis, foi nomeado escrivão do cartório do crime de
Corumbá. Participou, desde 1934, dos acontecimentos literários do Brasil
central, escrevendo poesias e enviando colaborações de cunho modernista
para os jornais de Goiânia. Em 1939 transferiu-se para Goiânia, onde
foi nomeado secretário da Prefeitura Municipal, com exercício das
funções de prefeito por duas vezes.
Em 1942, mudou-se para o Rio de Janeiro com a intenção de aí
fixar-se. Trazia um livro de poesias e outro de contos, que pretendia
publicar. Sem realizar seu intento, retornou a Goiás. Fundou a revista
Oeste e nela publicou o conto “Nhola dos Anjos e a cheia de Corumbá”. Em 1944, seu livro de contos
Ermos e gerais
foi publicado pela Bolsa de Publicações de Goiânia, obtendo sucesso e
elogios de toda a crítica nacional. Nesse ano casou-se com a poetisa
Violeta Metran. Em 1945, participou do 1º Congresso de Escritores de São
Paulo, quando conheceu vários literatos nacionais, entre os quais
Aurélio Buarque de Holanda, Mário de Andrade e Monteiro Lobato. Voltando
para Goiânia, fundou a Associação Brasileira de Escritores, da qual foi
eleito presidente. Ingressou no magistério como professor da Escola
Técnica de Goiânia e do ensino público estadual e municipal. Em 1955,
publica o livro de poemas Primeira chuva.
Nos anos subsequentes, dedica-se ao magistério e à vida literária.
Foi cofundador, vice-diretor e professor do Centro de Estudos
Brasileiros da Universidade Federal de Goiás, daí passando a professor
de Literatura na Universidade Católica de Goiás e em vários cursos
preparatórios ao vestibular das universidades. Além de colaborar com os
órgãos culturais que circulavam no Brasil central, participou de
congressos de escritores realizados em São Paulo, Belo Horizonte, Porto
Alegre e Goiânia, promoveu o I Congresso de Literatura em Goiás, em
1953, e realizou palestras, conferências e cursos literários.
Entre 1970 a 1978, desempenhou as funções de assessor cultural junto
ao Escritório de Representação do Estado de Goiás, no Rio de Janeiro, e
reassumiu o cargo de professor na Universidade Federal de Goiás.
Desempenhou ainda a função de diretor-adjunto do Instituto Nacional do
Livro, em Brasília, de 1978 a março de 1985. Em 1986, foi nomeado para o
Conselho Federal de Cultura, ao qual pertenceu até a extinção do órgão,
em 1989.
Recebeu inúmeros prêmios literários: Prêmio José Lins do Rego (1965) e
Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (1966), pelo livro de
contos
Veranico de janeiro; Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, por
Caminhos e descaminhos; Prêmio Sesquicentenário da Independência, pelo estudo
Marechal Xavier Curado, criador do Exército Nacional
(1972). Em 1987 recebeu o Prêmio da Fundação Cultural de Brasília, pelo
conjunto de obras, e a medalha do Instituto de Artes e Cultura de
Brasília.
http://www.academia.org.br/academicos/bernardo-elis/biografia